Pointe du Raz: o extremo ocidental da França

with Nenhum comentário

A Pointe du Raz, considerada por muitos como “o fim do mundo”, é o extremo ocidental da França, que entra pelo mar.



A Pointe du Raz, considerada por muitos como “o fim do mundo” (veja no mapa, é a ponta da Bretanha), é o extremo ocidental da França, que entra pelo mar. Um local onde impera uma natureza selvagem, com suas falésias frente à Raz de Sein e cuja beleza inspirou escritores como Victor Hugo e Gustave Flaubert.

O Raz de Sein, uma passagem no mar entre a Ilha de Sein e a Pointe du Raz, é a rota marítima de navegação entre o Atlântico e o Canal da Mancha. No entanto, o local é muito perigoso por causa das fortes correntes geradas pelas marés. Delimita-se pelos faróis de Tévennec e La Vieille, e pela Ilha de Sein.

Ali encontra-se a Reserva do Cap Sizun, uma reserva natural de aves marinhas. Além disso, a Pointe du Raz juntamente com a Baie des Trépassés e a Pointe du Van, faz parte do Grand Site de France, estendendo-se pelos municípios de Plogoff e Cléden Cap Sizun, Goulien e Beuzec Cap Sizun.

O registro Grand Site de France, criado pelo Estado para uma melhor gestão e preservação de sítios naturais, é definido pelo Código do Meio ambiente (2010) e se refere aos princípios da Convenção da Unesco para o Patrimônio Mundial.

Logo ao chegar, há um grande estacionamento e um pequeno complexo com o Posto de Turismo, lojas de artigos diversos e artigos para presentes, bares, creperias e restaurantes. Para conhecer o local, existem várias trilhas, sendo que uma delas serpenteia o mar. O estacionamento é pago e o dinheiro arrecadado é usado na preseervação do local. Ao longo da trilha, pequenos tocos de madeira trazem uma inscrição com um número de telefone de emergência e o número do ponto ao qual corresponde o lugar.

Prepare-se para andar bastante. Para aqueles que não podem, há uma van que sai do posto de turismo. Seu uso é destinado primordialmente a pessoas com problemas de mobilidade. Porém, pode-se resevar um lugar com antecedência, sendo necessário pagar 1 euro ida/volta. Também encontram-se disponíveis três cadeiras de rodas. Informe-se aqui.

No início da trilha é possível ver um bunker. Pelo que pesquisei, os alemães teriam instalado diversos radares neste sítio, um complexo chamado "Luftwaffe station Renntier”.

Nem preciso dizer que a paisagem é deslumbrante e que a gente se pergunta “com um mar que se torna tão agitado, como construiram os faróis?”. 

Aqui, uma curiosidade. Ao norte da Pointe du Raz, à direita do farol La Vieille, encontra-se o farol de Tévennec, com uma pequena casa. Pois bem, inabitado há 105 anos, diz a lenda que é mal assombrado. Desde sua construção, em 1874, diversas mortes trágicas teriam ocorrido ali. Diz-se, também, que alguns guardas teriam enlouquecido após ouvir vozes que murmuravam em bretão “Vá embora, vá embora, este lugar é meu”. Para completar, o local é de difícil acesso, com ondas que chegam a três, por vezes quatro metros. Antes da invenção dos helicópteros, os guardas ficavam ali até 100 dias, quase sem comida, pois não era possível retirá-los.

Também fala-se de barcos perdidos, que teriam naufragado ao largo do farol.

Depois de tanta confusão, a administração desistiu de colocar guardas ali e Tévennec tornou-se o primeiro farol a ser automatizado na França. Pena que não consegui fazer nenhuma foto dele. Que história fascinante!

Em frente ao farol La Vieille, uma imagem de Notre-Dame des Naufragés, obra de Godebski em 1904. Vemos a Virgem com o menino Jesus e um marinheiro, náufrago.

Do outro lado, avista-se a Baie des Trépassés, uma bela praia de areia fina, entre a Pointe du Raz e a Pointe du Van, com uma história igualmente cercada de lendas. Ficou curioso? Leia aqui.

 

 

GALERIA

Passe o mouse nas imagens para ver a descrição ou clique para aumentar.

Comentários