No dia 1º de maio, na França, existe o hábito de se oferecer um ramo de lírio-do-vale (fr. muguet), considerada como um tipo de amuleto da sorte, a pessoas queridas. Essa prática tornou-se célebre com o rei Carlos IX e o cantor Félix Mayol.

“Em 1560, o rei, em visita a sua mãe, Catarina de Médicis, ganhou um ramo de lírio-do-vale do cavaleiro Louis de Girard de Maisonforte, que o colhera em seu jardim em Sain-Paul-Trois-Châteaux. E, a partir do dia 1º de maio de 1561, o rei passou a distribuir ramos de lírio-do-vale às damas da corte dizendo-lhes: “Que assim se faça todos os anos”.

Em 1º de maio de 1895, o cantor Félix Mayol, da cidade de Toulouse, chega a Paris. Sua amiga, Jenny Cook, lhe oferece um buquê de lírio-do-vale e ele coloca um ramo na lapela de seu paletó na mesma noite, para a abertura de seu tour no Concert de Paris. Seus shows são um sucesso e ele decide nunca mais se separar do ramo da flor, que se torna seu símbolo. Como o cantor era bastante popular na época, diz-se que teria relançado a tradição.

Em 1º de maio de 1900, por ocasião de uma festa organizada por grandes nomes da alta costura parisiense, todas as mulheres, tanto clientes quanto ajudantes, receberam um ramo de lírio-do-vale. Seduzidos pela ideia, os costureios passaram a oferecê-lo a seus clientes todos os anos. Chistian Dior até mesmo o tranformou no símbolo de sua maison.

Mas foi apenas no governo de Vichy que o lírio-do-vale passou a ser associado à festa do trabalho. Em 24 de abril de 1941, o marechal Pétain instarou oficialmente o 1º de maio como dia da “Festa do trabalho e da paz social”.

A rosa vermelha, símbolo do dia internacional dos trabalhadores depois de 1891, muito ligada à esquerda, foi então substituída pelo lírio-do-vale" (tradução livre de uma reportagem de Le Figaro: La tradition des brins de muguet le premier jour de mai).

Oitenta por cento da produção do lírio-do-vale provém de Nantes onde se colhe, por ano, aproximadamente 60 milhões de ramos. 

No 1º de maio, vê-se ambulantes nas ruas vendendo a planta. Esse tipo de comércio, no entanto, é tolerado em muitas cidades apenas neste dia e isto devido à tradição, mas deve obedecer certas regras.

Por exemplo: a planta deve ser selvagem, colhida em um bosque ou jardim, sem raízes nem embalagem, sem potes. Algumas cidades permitem que seja envolta em celofane transparente. Outras, não. Também não é permitido adicionar nenhuma outra planta ao buquê. Os vendedores só podem se posicionar em certos lugares, mantendo uma determinada distância das lojas de flores, estipulada pela regulamentação.

Caso as normas sejam descumpridas, o ambulante pode sofrer sanções que vão de um processo verbal e uma multa até a prisão.

Estava certa vez em Nice nessa época e pude ver ambulantes vendendo a flor. Mas acho que lá a regulamentação não é, ou não era, tão rígida. Você pode ver na minha foto que a planta era vendida envolta em celofane transparence e também em pequenos jarros.